Quando se fala em materiais que podem revolucionar a forma como armazenamos energia, separamos gases, removemos poluentes ou até mesmo transportamos medicamentos dentro do corpo humano, poucos nomes ganham tanto destaque quanto os das Redes Metalorgânicas, ou simplesmente MOFs (Metal-Organic Frameworks).
Apesar de parecer novidade, o conceito de redes estruturadas ligando blocos inorgânicos e orgânicos vem sendo esboçado há muito mais tempo do que se imagina — apenas não com o nome pomposo que hoje preenche artigos em revistas de alto impacto e faz brilhar os olhos de engenheiros, químicos, físicos e biólogos.
Mas por que tanto fascínio por essas estruturas? Talvez a resposta esteja na simplicidade de sua definição e na complexidade de suas aplicações. Um MOF nada mais é do que uma estrutura reticulada que combina íons metálicos ou clusters metálicos com ligantes orgânicos — criando uma rede que, em escala nanométrica, é essencialmente uma esponja: cheia de poros, tuneis e cavidades capazes de aprisionar, liberar ou transformar moléculas de interesse. Essa simplicidade de montagem e riqueza de funcionalidades faz dos MOFs uma espécie de “lego” molecular, com peças que se encaixam de acordo com a criatividade (e a paciência) dos cientistas.
Curiosamente, a história dos MOFs no Brasil é relativamente recente. Foram precisos anos de desenvolvimento em síntese de compostos de coordenação, cristalografia de raios X e modelagem teórica até que se chegasse ao domínio que temos hoje para construir redes cada vez mais robustas e funcionais. Por isso, em um gesto que faz jus ao potencial dessa área, nasce o I Encontro Brasileiro de MOFs (I EBMOF): um espaço para reunir, pela primeira vez de forma oficial e nacional, os rostos e mentes por trás das redes mais porosas (e promissoras) da ciência de materiais.
De 24 a 26 de setembro de 2025, o campus Pampulha da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), uma das instituições mais respeitadas do país, abrirá suas portas para receber estudantes, pesquisadores, professores e profissionais da indústria interessados em discutir tudo o que envolve MOFs — da bancada à aplicação real.
Além de Belo Horizonte ostentar o apelido de “capital mundial dos bares”, quem vier ao I EBMOF vai encontrar uma cidade vibrante, cercada de montanhas, rica em cultura e história, e que serve como excelente ponto de partida para explorar vilarejos coloniais, igrejas barrocas e paisagens naturais de tirar o fôlego.
A programação, como se espera de um bom encontro científico, promete um passeio por temas que vão desde a síntese e cristalização de MOFs, passando pelas modificações pós-sintéticas (aquela “pincelada” final que personaliza as propriedades), até suas aplicações mais ambiciosas, sem esquecer dos estudos teóricos e modelagem computacional, que são o alicerce para imaginar — e prever — novas estruturas antes mesmo de misturar os reagentes.
Entre uma palestra e outra, cafés e conversas improvisadas vão unir jovens cientistas e nomes já consagrados, tecendo novas colaborações que poderão render frutos bem depois que as luzes do auditório se apagarem. O objetivo? Criar uma comunidade ainda mais conectada, capaz de transformar boas ideias em soluções práticas — algo que os MOFs já provaram ser muito bons em viabilizar.
Assim como os cristais que um dia encantaram filósofos gregos, geólogos medievais e pioneiros da química estrutural, as Redes Metalorgânicas continuam nos mostrando que, quando se unem pequenas peças com engenhosidade, o resultado pode ser extraordinário.
O I EBMOF é, portanto, mais do que um encontro técnico: é uma celebração do espírito colaborativo que move a ciência. E, como todo bom experimento, só é possível porque há quem tope misturar ideias, reagir visões diferentes e cristalizar descobertas.